Uma fase longa demais para um título

Dizem que se você repetir muito uma coisa, ela se torna realidade. Passei a pensar que, talvez, em algum momento inicial da minha adolescência, eu deva ter visto e repetido muitos elementos melancólicos de um jeito vazio. Ah, talvez eu nem sentisse aquilo de verdade.

Então revisitei a minha infância. O que eu pensava na infância podia muito bem trazer fatos, apesar de ser natural ocorrerem mudanças de mentalidade ao longo do tempo, o que na verdade é muito saudável, dependendo da mudança. Mas isso de olhar para trás me mostrou que provavelmente eu estivesse muito errada ao considerar a possibilidade de apenas ter copiado uma moda emo até ela se tornar parte de mim.

Aos quatro anos de idade, com carinho e enorme zelo de minha mãe sobre mim, era de se esperar que eu fosse uma criança muito saudável apesar de mimada. A expectativa que se cria da cabeça de uma criança é algo inocente e leve quando ela não sofre abusos, mesmo que a proteção que já começava a dar pistas de excesso por parte de minha mãe pudesse vir a causar alguns danos no futuro — e veio.

Por alguma razão, não era tudo bonito nesses pensamentos infantis. Muita coisa disso me assusta hoje como, por exemplo, naquela época eu achar que Jesus — fui uma criança religiosa, apesar do que vem a seguir — me odiava e fazia cocô na minha comida e em cima de mim. Parece que eu já me achava tão detestável que nem a figura sagrada que eu adorava era capaz de me amar, ainda que eu continuasse o amando.

Uma vez, também nesse ano, acho que até na mesma semana, enquanto eu almoçava um purê de batatas, perguntei à minha mãe:

— A senhora colocou veneno na comida, né mamãe? A senhora me odeia e quer me matar, eu sei, mamãe. — O que obviamente a assustou muito, vindo do nada, logo da criança mais cuidada do mundo. Eu também estou assustada.

Os anos que se seguiram na escola também não ajudaram, porque aí já não era só a minha cabeça, mas também as vozes daqueles que, dada a minha fragilidade e impotência diante de situações fora da minha zona de conforto familiar, desprezavam alguém que se mostrava incapaz de interagir sem chorar de terror por não saber separar o que era brincadeira e o que era ofensa; que não tinha força para empurrar de volta e que não conseguia se equilibrar em pé em um lugar cheio de gente e correria.

Cresci fraca. Essa fraqueza que todos detestavam em mim, em pouco tempo, fez eu me detestar mais ainda também. Eu queria dar boas respostas para rebater as brincadeiras que me soavam de mau gosto, mas todas soavam ridículas aos ouvidos dos que tinham mais naturalidade com a troca de ofensas por diversão; queria conseguir dar um soco na cara de cada um daqueles garotos que prendiam meus braços e esfregavam o punho sobre a minha cabeça e que me faziam tropeçar a todo momento, mas me faltava força e qualquer vestígio de mira; e queria me impor com pose distinta e ganhando ao menos o mínimo de moral, queria sair daquele estado de passividade ao qual parecia estar forçadamente presa pela minha falta de jeito, mas nada do que eu queria conseguia colocar em prática. Me vi fadada à inutilidade.

Continuo fraca. Já não querendo tanto revidar das coisas, eu só queria conseguir agradar a todos. Vivo nessa busca incessante de aceitação que, sem precisar se analisar muito, é ridícula. Apesar de conscientemente ter entendido que é impossível receber a aprovação de todo mundo, inconscientemente peço desculpas por tudo que sai um pouco do que acho que alguém gostaria que eu fizesse ou agisse. “Me desculpe por ter nascido”, é o que digo sem dizer em voz alta, ainda que às vezes fale em tom de brincadeira por aí.

Hoje, acho que posso dizer que muitas pessoas gostam de mim. Pelo menos elas insistem que sim, e procuram meios de me educar toda vez que penso o contrário. Mas é difícil acreditar no amor do outro cem porcento do tempo quando nem mesmo eu nutro esse sentimento por mim, quando é difícil eu conviver comigo, como sempre foi.

Aí eu aprendi que a pior das hipóteses se confirma: antes fosse um drama superficial motivado por uma onda virtual de autodepreciação, algo influenciado e que, ao crescer, pudesse deixar para trás como uma lembrança vergonhosa do início da adolescência. Mas talvez não fosse uma onda e uma moda, apesar dos pesares, e sim o resultado de mentes em formação em meio ao próprio caos. Antes fosse moda, antes ninguém pensasse e se sentisse assim de verdade. Mas além de carregar memórias vergonhosas, carrego algo que sempre esteve comigo, que é esse ódio próprio e de princípio indefinido.

E pode ser só uma fase, ora, no mundo, uma vida também é só uma fase. Estou esperando esta acabar logo.

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Recíproco de um só

Levantar da cama sem sequer ter a vontade de despertar sabendo que vai ser preciso lidar com aquela pessoa desagradável de novo, mais um dia, faz meus olhos ficarem caídos e a respiração alterada, pensando em qualquer meio para conseguir evitá-la por mais algumas horas. Nada que eu possa fazer enquanto houver alguém por perto.

Criatura de riso desengonçado e solto, um caminhar meio engraçado, parece agradável à primeira vista. Mas ela começa a falar… A minha cabeça lateja. E eu sei que a dos outros também, porque já me contaram isso. O cérebro para de funcionar porque ela é uma metralhadora de palavras e não há como processar tudo o que diz. A gente nem mesmo quer saber mais a história que ela tem para contar dessa vez.

Mas, de todas as pessoas do mundo, eu sou a que mais passa tempo com ela. Não porque eu quero, mas porque não tenho o que fazer em relação a isso. Já tentei me livrar dela de várias formas, ou ao menos substituí-la por alguém mais calado e sensato, mas ela não deixa ninguém tomar seu lugar. Ela pede desculpas toda vez, explica como gostaria de ir embora tanto quanto eu, mas que por enquanto não é possível.

Para piorar, ela é uma irresponsável de primeira linha. É quase impossível a convencer que é capaz sim de realizar suas tarefas mais complexas. Vem com mil desculpas. Até enquanto eu estou tentando escrever meus relatos a respeito dela, está me interrompendo mais vezes que o aceitável, dizendo o quanto é difícil fazer essas coisas e que eu deveria não fazer também. Não se sente bem quando percebe que diferente dela, outras pessoas vão lá e fazem o que têm que fazer. Já faz umas dez horas que estou tentando, sem sucesso, fazer ela ficar quieta e respeitar meus horários de compromisso e afazeres.

Ela não reclama quando falo assim dela, com essa maldade e desgosto, porque concorda. Já não consegue negar suas próprias falhas, porque já se vê como uma há muito tempo. Eu tento a controlar de fazer todas as coisas que a tornam tão inconveniente, esperneio, choro para ela, não há o que a segure. Já não sabe mais não viver no oito ou oitenta, vezes sendo irritante demais e outras, cordial que dói.

Mas uma coisa não posso negar, fico encarando o rosto dela por muito tempo. Pelo menos por fora é bem bonita, a diaba. Perco muitos minutos apreciando a única coisa boa que ela tem a me oferecer, que é uma vista agradável quando está calada, sem expressar seu verdadeiro comportamento. Gostaria que nunca mais dissesse uma palavra sequer e nem pensasse um ai, porque o que vem dela sem ser a aparência é incômodo generalizado.

Antes de dormir, todos os dias, num dos últimos momentos que tenho que a aturar consciente, a observo pela última vez.

— Bem que você poderia nem ter nascido.

É o que digo a encarando, enquanto ela, de modo sincronizado, me devolve as palavras fielmente — porque o desgosto que nutrimos é recíproco — lá de dentro do espelho.

Ovo no Microondas


Aos oito anos de idade, eu tinha como grande objetivo ter a possibilidade de brincar com as crianças sem a barreira das grades de casa, correr com elas, aprender a conviver e jogar videogame sentada no chão da sala de suas casas. Não me faltava convite, muito menos tempo, porque se metade do dia já era livre, com os constantes cancelamentos de aula na escola pública, a vida era um eterno feriado.

Mas não fazia diferença ser feriado ou não, porque independente do dia, a rotina sempre foi decidida com base na preocupação dos pais sobre tudo. Uma obsessão pelo pessimismo e superproteção que fez se formar uma prisão invisível à minha volta. Minha criação foi baseada em tentativas contínuas de me fazer acreditar que sou tão frágil quanto a gema de um ovo, e que sem uma clara e uma casca, eu seria facilmente esmagada.

Foi aos oito anos que eu me vi em uma situação em que pensei que havia matado minha mãe. Jogada em meus braços como se tivesse apagado de vez, gritei por ela e o desespero me sacudiu completamente. O estopim havia sido uma discussão motivada pelo meu objetivo de criança. Mas o mundo é perigoso demais, e era um absurdo que eu pedisse para colocar os pés na calçada, que eu andasse pela rua e ainda mais na companhia de moleques que conhecia desde minhas primeiras lembranças. Era uma afronta uma filha ser tão ingrata, tendo a maravilhosa oportunidade de ficar em casa olhando para o teto enquanto a televisão reprisava algum programa sem público infantil.

Minha mãe fingiu um AVC. Eu acreditei na época, não sabia bem como um AVC funcionava, e a intenção dela ao atuar daquela maneira era fazer com que eu me sentisse tão culpada que acatasse a qualquer comando: “Caramba, eu quase matei minha mãe de nervosismo”. Hoje ela ri disso. Ainda não acho graça.

Os pais discursam todos os dias sobre suas preocupações. Idosos, eles não podem fazer mais nenhuma filha para ocupar o meu lugar caso algo aconteça. “É o nosso tesouro”, e como tal, acho que estou em um baú chaveado desde o nascimento. Quando pequena, eu devo ter brincado na calçada apenas umas três vezes, e ouvindo gritos me chamando para dentro de casa, porque o mundo é perigoso demais. Não podia receber amiguinhos da escola e nem visitá-los porque, por não conseguir brincar no recreio como os outros já que precisava atender às exigências de minha mãe, claramente não saberia me relacionar com outras crianças e isso também seria um problema. Criada para ser alguém que não sabe se defender.

Não há correntes visíveis me segurando, tenho a chave das grades de casa e consigo sair para vir à faculdade e um evento que outro por mês. Oficialmente, é possível me considerar mais uma cidadã livre nas ruas. Eles não precisam de nada material para me manter atada. O que me prende é essa manipulação que vem de tempos. Dia após dia, durante estes dezenove anos, vivendo nesse ovo.

O que acontece quando você coloca um ovo no microondas sem perfurar a gema é que ele explode. A pressão interna aumenta demais. O que acontece ao ser colocada no mundo sem poder passar por experiências tão simples por uma hipótese de que coisas ruins irão acontecer também leva a uma explosão. Ela vai acontecendo em um processo mais lento, mas o desespero para se libertar do invólucro cresce a um ponto que o estrago acontece mesmo dentro daquela que deveria ser a proteção. Os pais não querem deixar que nada chegue, perfume, faça sentir dor, mas a dor sempre virá da maneira que eles não cogitam, que é não saber estar no mundo.

Ships físicos e métodos peculiares

Certa vez, no primeiro ano do colegial, Yas e eu estávamos muito entusiasmadas com o novo tópico de física. Algo como movimento uniforme variado, não lembro bem. A professora não era muito de enfatizar os nomes das coisas. Mas sabíamos que envolvia força, massa e aceleração.

Sempre procurando métodos de estudo que envolvessem nossos gostos pessoais ou qualquer coisa engraçada, enfiei logo meu gosto pela boyband alienígena de lobos que fazem remake de baixo orçamento do Crepúsculo esquecendo de vampiros, EXO.

Yas não era e nem é fã deles, mas me ouvia com atenção. Estudamos usando o lindinho ship XiuChen e uma gambiarra imaginária que teria feito Kris voar em um dos teasers. Não tenho nada anotado desses dois usos, mas há um em especial que fiz para uma outra amiga, Vivicos, maninha, e enviei pelo Facebook.

Pode estar de uma simplicidade estúpida, mas pelo menos arrancou uns risinhos enquanto eu estudava. E sentimentos pelo gostoso ship SeXing. Até o nome disso é sugestivo, puta que pariu.

 

Segue a questão:

EXO voltou ao dormitório após o Mama. SeHun e Yixing dirigiram-se diretamente ao banheiro para tomar um banho, já que nenhum dos dois se incomodava em dividir o chuveiro, acostumados com os banhos coletivos do grupo. O banho seguiu com SeHun tentando, discretamente, observar o corpo alheio. Tentava esconder, de alguma forma, a ereção que se formava em seu baixo ventre. Yixing, por sua vez, aparentemente não parecia estar reparando em nada, apenas cuidando de sua higiene. Após o banho, foram até o quarto para vestirem-se, já que não haviam levado suas roupas para o banheiro. Ao adentrarem o recinto, o mais novo não se conteve e rapidamente aproximou-se do menor, fitando-lhe os lábios de um jeito voraz. Sem dar chance ao outro esboçar uma reação àquela situação, empurrou-o com uma força de 15N, fazendo com que caísse sobre a cama. E no momento seguinte, Yixing finalmente reagiu: Correspondeu lascivamente em um ataque aos lábios alheios.

Considerando que a massa de Yixing é de 60 kg, qual a aceleração do corpo?

Talvez mais uma (mini)fanfic pwp bem genérica, mas já serviu para alegrar mais um daqueles dias de 2013. Alterei algumas coisas que estavam incorretas.

A fórmula foi essa aqui. Fiz isso apenas para chegar no cálculo e:

 

F=m.a

15 = 60.a

15/60 = a = 0,25 m/s²

Na prova, Yas e eu erramos apenas uma ou duas questões. Aqueles foram nossos tempos dourados. O que aconteceu no simulado da Vivicos eu não sei, mas pelo menos sua recomendação de usar SeXing me foi muito interessante.
Esta é uma postagem meio nada a ver com nada, quase sem propósito e até meio vergonhosa. Mas por já ter terminado o ensino médio e esquecido 99% dos conteúdos, pode ser valioso resgatar uma pérola e lembrar de algo.
Chega-se à conclusão:
Às vezes o indivíduo está louco nos grupos favs.

Rotina Monocromática

Rotina Monocromática.png

Logo de manhã vestia o velho casaco vermelho
Cuspia seus pensamentos ácidos
Obsessivamente encarava a si mesmo no espelho
Estampado na face, o desespero clássico

O chá da tarde era de frutas vermelhas
Acompanhado por bolo coberto de morangos
Logo depois saía e sentava-se sob uma das macieiras
Na memória abafava antigos prantos

Com ira o rosto tornava-se rubro
Sua fala tomava tom amargo
E no final do mês de outubro
Só o distanciamento para acalmá-lo

Longe de tudo, entre flores vermelhas
Observava ao redor com serenidade rara
Do chão até às telhas
A atenção aos detalhes não era falha

Mas como novas memórias não apagam as do passado
Com movimentos calmos na banheira
Certa noite o vermelho escorreu pelo ralo
Deu adeus à uma vida pintada de escarlate, ela inteira
— “Acabou-se o meu  prazo”.

Entre o fracasso e o dom, dança

Amo demais, durmo de menos
Quem amo? A dança
Mas não sei dançar, fico desapontada
Queria que houvesse esperança

Me ensinarias a dançar? Deixe apoiar-me em teus pés
Prometo não te machucar, mas sabe
Para mim é difícil como para ti não é

Nascestes com o dom, tu sabes
Teu corpo fala, não precisas dizer com a voz
Enquanto eu sou um desastre, já vistes
Sou dona de com minhas pernas dar vários nós

Queira dançar comigo, dar-me aulas
Tu és uma obra de arte, já repeti tantas vezes
Enquanto eu sou museu, sou plateia
Quero te ver dançando pela eternidade de meses.

O Querido

Cantos caídos de seus olhos
Olhos vidrados na janela de vidro
O olhar alheio passa percebido
Causa até um arrepio
Claro que você o quer

Aqueles ombros largos
A grande estatura
Cabelos avermelhados
Lábios em processo de abertura
E àquela altura, quem não o quer?

Seria ele um deus grego
Que de grego não tem nada
Talvez só o apelo
Aquele tipo físico que deixa qualquer pessoa encantada
O querendo por inteiro?

Agora até eu o quero
Aqueles lábios me chamaram a atenção
Mas sei que você os viu primeiro
Então manterei a educação
Outro dia aparecerá alguém querendo roubar meu fôlego e coração

Corra até ele logo
Antes que outra pessoa o faça
Alguém que não disfarça
Que aproveita sem medo
Porque querendo tanto, quem ficaria só de graça?

Adorar De Dar Dó

Queria ser quem tu adoras
Pois o adorador adorado por quem adora
Adornado de amor, sentimento duradouro
Dorme durante o dia num descanso dourado
Deita de braço dado
Doido dobrado
Duzentos beijos cadenciados

Duplo sentido desperta à madrugada
Dentro de cada um que adora
Endurece, torna febril como se estivesse doente
Demasiado quente
Dente com dente
Beijos pendentes
Pele agraciada

Te adoro como ninguém
Mas há gente demais no mundo
Generalizo de novo pelo meu bem
Te adoro mais que todos
Desde o dentista até o soldador de toldos
O eletricista te olha desejoso
Te desejo em dobro

Me adore
Das dores a de menos
Dentre tantas pessoas, sou a quase sem medos
O medo é de adoecer e delirar
Delírio diário
Parar na clínica para desequilibrados
Um mundo isolado
Sem que dances colado a mim depois do jantar

Adoração nada doentia
Saudável à noite, de dia
Madrugada da vida
Dor deliciosa
Ter-te demais, só dormindo
Sonhando com dança
Tendo de ti nada, acordado na desilusão
Mas com desconfiança
Há esperança pra quem continua a te adorar, apesar de não haver mudanças?

Meus amores não

Meus amores não me leem
Vivem muito ocupados
Eles vêm de tão longe
Estão calçando seus sapatos

Meus amores não me ouvem
Minha voz está perdida no ar
Poluição sonora
Não importa se eu gritar

Meus amores não me enxergam
Eu sou um pontinho em dez mil
Eles olham tudo de cima
Nem notarão se alguém sumiu

Meus amores não me entendem
Vêm de outra realidade
Falam palavras diferentes das minhas
A vida fez essa maldade

Meus amores não ficarão por aqui
Eles dão a volta ao mundo
São amores de mais um bilhão de pessoas
Que assim como eu sentem o encanto de tudo

Meus amores não param
Eles dançam
Suas vozes deixam as caixas de som
Meus amores cantam

Meus amores não deixam de amar
Têm seus próprios amores
Amam a música e a dança
Embora tanto esforço os gere dores

Meus amores não irão me amar
Porque não provei a eles que existo
Tudo o que faço é intraduzível
Mas por que será que ainda insisto?
Pois meu amor por meus amores se faz um sofrido e belo infinito.

Amo todo mundo, ninguém e você

Deixei de amar uma pessoa só
Amo a todos demasiadamente
Assim como há dias em que não amo ninguém
Deito me perguntando se isso é coerente

Como seria a vida sem amor?
Há dias em que costumo sentir que já é
Mas certamente depois de horas de torpor em tristeza
Cederei à verdade de que o amor se mantém de pé

Pelo menos há quem me ame
Em algum lugar por aí
Sou um ser bom para levantar alguém
Assim como também posso fazer cair

Caia em mim
Ceda aos meus encantos
Em cada canto desse mundo
Há espaço para se enfiar sob meus panos

Te amo mais que a carne
Amo mirar teu sorriso
Melhor brilho para os meus olhos
Me faz assumir o risco

Risque qualquer outra pessoa de sua lista
Ria comigo até o fim
Ranja teus dentes enquanto me tem
Faça um riacho de mim

Depois que amanhecer
Levante e deixe um bilhete sobre a mesa
Diga como foi a dose
E deseje tomá-la novamente como se fosse a cura de qualquer doença.